LOUIE entrevista - Ivan Padilla
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LOUIE ENTREVISTA - Ivan Padilla

Novo diretor de redação da Revista VIP, o jornalista fala da atual fase do título masculino, dá dicas de lugares para aproveitar São Paulo e diz que o  homem brasileiro está mais sofisticado

 

O jornalista Ivan Padilla, novo diretor da revista VIP

 

Um Abílio Diniz despojado, vestido com calça jeans e camisa (sem gravata), usando acessórios como óculos de armação preta e, no braço direito, uma pulseira de couro. Mesmo quem não conhece sobre o mundo dos negócios certamente sabe que o ex-sócio do Pão de Açúcar é um dos nomes mais importantes do empresariado brasileiro. O que muita gente não entendeu, pelo menos a princípio, é o que ele estava fazendo na capa da edição de março da revista VIP. 

 

O título, da Editora Abril, é voltado ao público masculino e construiu uma tradição nos últimos 20 anos: apenas mulheres habitavam aquele espaço. A mudança que colocou um homem na capa da VIP foi orquestrada pelo  jornalista Ivan Padilla, que assumiu a direção da revista em outubro de 2016, após deixar a GQ Brasil. “Esse reposicionamento foi muito para se adequar ao homem de hoje, mais sofisticado”, disse ele ao Editorial & Things.

 

As capas femininas não deixarão de existir. Mas vão passar a se revezar com personagens masculinos que representem esse novo momento da VIP. A estreia não poderia ter sido mais certeira. Um Abílio mais relax na capa e mais humano nas fotos que ilustram a reportagem, entre elas  uma em que aparece com um secador nas mãos, cuidando dos cabelos da filha. Enfim, estamos falando de um novo homem - e de uma nova revista.

 

A capa da edição de março, da VIP traz um homem pela primeira vez em 20 anos

 

E&T - Com foi emplacar essa mudança de colocar um homem? Quais os critérios para escolher quem seria?

Ivan Padilla - Foi a primeira capa masculina em 20 anos, a última tinha sido em 1997, com o [economista] Gustavo Franco. A gente queria um empresário, alguém que fosse um modelo em termos de trabalho. O Abílio apareceu logo nas primeiras conversas, ele deu uma reviravolta impressionante na vida dele nos últimos cinco anos. Entregou a empresa familiar, fundada pelo pai, comprou ações da concorrência – Carrefour, BRF – e implantou mudanças como conselheiro dessas empresas. A gente queria um “novo Abilio” e chegou à conclusão de que o novo Abilio era o próprio Abilio.

 

E&T – Você falou sobre uma pesquisa, feita com os assinantes da revista, para ´mapear´ o comportamento do homem brasileiro. O que vocês descobriram?

Ivan Padilla - A moda, por exemplo, apareceu como um dos principais temas e é cada vez uma preocupação dos homens. No entanto, eles não estão necessariamente superligados em tendências, não estão preocupados em vestir o que está sendo lançado nas semanas de moda de Milão ou Paris. Mas eles não querem passar vergonha. Eles buscam uma moda muito prática, muito funcional, querem estar bem no trabalho, serem elogiados pela roupa. Além da moda, eu vejo que o homem hoje está muito mais livre hoje para expressar o que ele gosta. Livre para gostar de MMA ao mesmo tempo em que gosta de La La Land, sem ter vergonha de falar que gostou.

 

E&T- Quais outras áreas apareceram nessa pesquisa?

Ivan Padilla - A gastronomia, cada vez mais. O homem está cozinhando, é ele quem compra as facas da casa, monta a cozinha – que hoje virou uma extensão da sala, ou a própria sala, no sentido de um lugar onde ele recebe os amigos. Outro tema foi viagens. Esporte sempre. E negócios/carreira também bastante. Mas de um jeito diferente do que era um tempo atrás. O cara trabalha, tem as metas dele – ele quer dinheiro para fazer suas coisas –, mas ele não quer deixar de lado a vida pessoal. Ele leva em consideração uma série de outras coisas, como felicidade no trabalho e o propósito na empresa onde ele está.

 

O chef Rodolfo De Santis (ao centro), do Nino Cucina, com a equipe do restaurante : "É um cara para ficar de olho, ele  ainda vai fazer muita coisa", diz Ivan

 

E&T - Você disse que a gastronomia aparece como uma área de interesse cada vez maior para o homem hoje. Qual chef para ficar de olho e qual a grande novidade gastronômica de São Paulo?

Ivan Padilla - Acho que a grande novidade gastronômica de São Paulo hoje são os gastrobares. As pessoas não estão mais diferenciando muito sair para comer ou para beber. É um lugar onde você tem prazer na comida e na bebida. O Peppino Bar é um ótimo exemplo. E o chef que todo mundo deveria ficar de olho é o Rodolfo De Santis, do Nino Cucina, um cara que ainda vai fazer muita coisa.

 

 

Peppino bar: novidade boa para tomar drinques em São Paulo

 

 

E&T - A gente sabe que você curte motos. São Paulo tem uma ´cultura de moto´?

Ivan Padilla - Acho que a cidade tem, sim, uma cultura de moto. Talvez um pouco diferente do que as pessoas poderiam considerar inicialmente “cultura de moto” - motoclubes, andar em bando etc. O que eu percebo, entre as pessoas que eu conheço que andam de moto, é que elas têm um prazer muito individual nisso, no máximo com um amigo para fazer alguma coisa. Mas acho que existe uma cultura legal aqui, de moto e scooter também.

 

 

E&T - Quais lugares na cidade são mais legais para experimentar essa cultura? Bares, lojas, oficinas...

Ivan Padilla - Você tem lojas como a Lab, de acessórios para motos, que é muito legal. E tem a Bendita Macchina, oficina de customização de motos, que tem um trabalho incrível. E para baixa cilindrada, o que é raro e bom, pois motos pequenas são muito práticas para uma cidade como São Paulo. E o lugar em si é ótimo, tem um café, um restaurante. Virou um ponto para quem gosta de motos.

 

 

A loja Bendita Macchina: motos customizadas, café, restaurante

 

 

E&T- Voltando aos bares de drinques na cidade, que estão em muito maior número. Além do Peppino, que você já citou, qual outro indicaria?

Ivan Padilla - Acho que o drinque chegou mesmo. Um pouco atrasado, essa onda lá fora já tem uns dez anos – drinques clássicos e tal –, no Brasil, em São Paulo, isso é mais recente, mas está em alta e só vai crescer. Falei do Peppino, mas tem também o Frank, que é excelente.

 

O Frank Bar, no Macksoud Plaza, em São Paulo

 

E&T - Uma coisa nova em São Paulo, em qualquer área (mobilidade, lazer etc.) que já não dá mais para viver sem?

Ivan Padilla - Tem gente que fala que o carro virou o novo cigarro. Acho que as pessoas estão se sentindo mal em depender tanto do automóvel e pensam: “Poxa, estou usando carro que caberia cinco pessoas, que gasta muito... só para mim?”. Tenho visto amigos vendendo seus carros, usando Uber ou transporte público, ou a própria bicicleta. Então acho que, na mobilidade, as coisas estão mudando e devem continuar mudando. E outra coisa que vejo é a ocupação de espaços públicos. As pessoas estão redescobrindo a cidade, ocupando novos bairros: Santa Cecília, Mooca. Estão saindo do “guetos” – Vila Madalena, Jardins. Acho que isso não tem volta, em qualquer administração.

 

E&T - Qual homem brasileiro você acha que tem muito estilo? Alguém que seja inspirador e represente bem o homem contemporâneo nesse sentido.

Ivan Padilla - Um cara superestiloso e que acho um bom exemplo é o Walter Salles. Um cara maduro, que está em forma, se veste bem, é low profile, faz um trabalho admirável. O Rodrigo Santoro também segue um pouco nessa linha. Um cara bonito, que se veste bem, tem o estilo de vida dele, tem moto, surfa, faz o que acha legal, está cuidando da vida dele. É um cara elegante também.

 

O diretor Walter Salles, com a atriz Kirsten Stewart e o ator Garret Hedlund, no Festival de Toronto: um homem de estilo

 

 

E&T- Pra finalizar, qual modelo LOUIE você acha mais legal? E por que?

Ivan Padilla - Eu gosto muito de botas, então curto muito a Chelsea da LOUIE. Tenho uma preta que uso muito, é um coringa. Uso com jeans e camiseta e também quando me arrumo um pouco mais. Tenho um brogue com a sola tratorada, que eu uso sem meia e acho demais, superconfortável. E tenho ainda dois Oxfords com solado de borracha, que também uso sem meia, e são bem legais para o verão. Mas o que eu mais uso é a minha Chelsea.