A época da inocência: cenas de um outro futebol
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Cenas de um outro futebol

Enquanto o mundo espera pela aguardada final da Champions League 2017, resgatamos imagens históricas de uma época em que o futebol era mais "artesanal"
 
 
O goleiro Émerson Leão "voa" ao defender gol durante 1 a 0 sobre a Áustria (Foto: Neil Leifer/Sports Illustrated)
 
 
Um dos maiores campeonatos entre clubes do mundo - ao menos o mais internacionalmente aguardado -, a Champions League reúne a elite do futebol mundial. Por consequência, o torneio movimenta cifras que podem chamar tanta atenção quanto os passes e dribles em campo. Nem sempre, no entanto, houve tanto dinheiro envolvido no esporte. Há quem diga que o futebol já foi mais romântico. Especialmente a década de 70, no século 20, ainda ocupa um lugar cativo no imaginário de muitos torcedores. São algumas as razões que colocam a época nessa posição, como mostra o livro The Age of Innocence: Football In The 1970s  (Taschen). 
 
Pela primeira vez o mundo conhecia de uma só vez vários astros atuando em diferentes times. A Copa de 70, no México, primeira a ser televisionada em cores, foi vencida pela Seleção Brasileira, com o lendário time de Pelé, Tostão, Rivelino e cia. Em 1974, o campeonato foi dominado pela intensa rivalidade entre a Alemanha Ocidental e Holanda. Quatro anos mais tarde, seria a vez da Argentina não só recepcionar o campeonato como vencê-lo. Foi nessa época também que o futebol dos clubes (Ajax, Liverpool, Bayern Munich, de acordo com o livro), começou a se destacar para ganhar as características que têm hoje.
 
E tinha o jogo em si. Pode-se dizer que, então, o jogar futebol era mais artesanal, ou, como se diz no inglês "free-flowing " (fluido). Havia de fato um outro ritmo, como se cada jogador tivesse mais tempo para cuidar da bola nos seus pés. Hoje, com o avanço da ciência do esporte, o futebol ficou mais rápido em campo. E definitivamente globalizado. Cada uma à sua maneira, as duas épocas têm razões de sobra para atrair multidões de admiradores. E, enquanto esperamos a final da Champions League (que acontece no próximo dia 3 de junho, em Cardiff, no País de Gales) convidamos a todos para saborear um pouco do futebol-arte de décadas atrás.   
 
A jogada histórica do meio-campo alemão Heinz Flohe durante partida entre Alemanha Oriental e Alemanha Ocidental (Foto: John Varley/Offside Sports Photography)
 
 
Globalização e cifras
 
Assim como o desempenho dos atletas evoluiu com o passar do tempo, influenciado principalmente pelo avanço da tecnologia e da medicina, o tamanho do futebol como esporte também se desenvolveu. Para se ter ideia, cada clube participante da Champions League pode faturar até € 57,2 milhões se fizer uma campanha invicta. Na temporada 2016/17, a UEFA (União das Federações Europeias de Futebol - que organiza o evento) vai distribuir um total de € 1,3 bilhão entre os times. 
 
Só na fase de grupos, por exemplo, cada clube recebe em torno de € 12,7 milhões pela participação - detalhe: independentemente dos resultados. Se o time vencer as seis partidas de sua chave, embolsa extras € 9 milhões.
 
Sem contar a constelação de nomes famosos que integram esses clubes. Predileções à parte, a lista inclui o português Cristiano Ronaldo (Real Madrid), o argentino Lionel Messi (Barcelona), os brasileiros Neymar (Barcelona) e Philippe Coutinho (Liverpool), o uruguaio Edinson Cavani (Paris Saint-Germain), o polonês Robert Lewandowski (Bayern de Munique), o francês Pierre-Emerick Aubameyang (Borussia Dortmund) e outros "passes de ouro" do mundo inteiro. 
 
 
Pelé comemora a vitória do Brasil na Copa do Mundo de 1970, no México, com o goleiro Ado, um dos reservas (Foto: Allsport/Getty Images)
 
 
Décadas atrás, esse "show business" era muito diferente. A dinâmica parecia mais centrada nas comunidades locais, e menos das audiências internacionais. O que se diz - talvez com uma certa carga de romantismo - é que havia no ar uma inocência que fazia o jogo fluir mais livremente do que o dinheiro.  
 
 
O holandês Johan Cruyff, vestindo a camisa do New York Cosmos, é abordado por um fã (Foto: ​Peter Robinson/Press Association)
 
 
Essa é a aura captada nas fotos que vemos no livro. As curiosidades reunidas ali resistem à passagem do tempo - tanto com relação a jogadas históricas quanto com os bastidores da vida de nomes como Pelé, Johan Cruyff e George Best. 
 
 
 
 
Franz Beckenbauer comemora a vitória de 2 a 1 da Alemanhã sobre a Holanda durante a Copa do Mundo de 1974 (Foto: Popperfoto/Getty Images)
 
 
Tecnicamente falando, as imagens  são de uma era pré-Photoshop. Algumas em branco e preto, outras carregadas na matiz "quente" do Kodachrome típico da época. Conceitualmente, o tempo deu a elas status de registro histórico. Vemos momentos de emoções em campo - como Émerson Leão "voando" para defender seu gol durante o 1 a 0 sobre a Áustria - e de relax fora dele, como o que flagra o zagueiro inglês Bobby Moore na praia de Copacabana, em 1971.
 
 
O zagueiro inglês Bobby Moore relaxa na praia de Copacabana durante as férias no Rio de Janeiro, em 1971 (Foto: Mirrorpix) 
 
 
O atacante italiano Paolo Rossi cabeceia para o gol durante partida na qual venceu a Argentina por 1 a 0 (Foto Roger Parker/Fotosports International)