Chukka e Desert Boots: como nasceram dois clássicos das botas
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Chukka e Desert Boots: como nasceram dois clássicos das botas

Suas origens ora aparecem ligadas às campanhas do exército britânico em países como Mianmar e Índia e também o Egito. Quando os soldados voltaram para casa, espalharam esses modelos para os pés de homens do mundo todo

 

Dois dos maiores clássicos do guarda-roupa masculino, o Derby e o Oxford, surgiram para substituir as botas de cano longo – padrão entre homens, mas responsáveis por muito desconforto e pouca praticidade. Mas elas (as botas) também resistiram às mudanças e conseguiram atravessar as décadas – adaptando-se às modas, aos gostos e às necessidades de cada época, chegando firmes, fortes e cheias de estilo ao século 21.

São diferentes os modelos e os nomes. A ankle boot talvez seja das mais famosas, caracterizada pelo cano na altura do tornozelo (ankle, em inglês), com variações para cima e para baixo. Versáteis, se desdobram em diversas categorias: army boot, blue boot, chelsea boot, wingtip boot etc.

Entre tantas variações, duas fazem parte do time de clássicos que têm história para contar: a Desert Boot e a Chukka Boot.

“Isso não vai vender”

Como o nome entrega, a desert boot tem origem ligada ao deserto.

 

 

Enquanto prestava serviços militares em Myanmar, Nathan Clark – membro de uma tradicional família inglesa – ficou curioso com o tipo de sapato que os oficiais usavam quando não estavam a trabalho: um modelo de bota, cano curto, feita de camurça.

Clark tinha especial interesse no assunto – “vício” adquirido por pertencer a uma linhagem de fabricantes de sapatos. Ao descobrir que a novidade vinha do Cairo, capital do Egito, não demorou para encomendar um par, já vislumbrando um novo negócio quando voltasse à Inglaterra.

O oficial reuniu amostras, desenhos e anotações e enviou para a empresa da família. “Isso não vai vender”, foi a resposta que recebeu do conselho executivo. O que não foi suficiente para demovê-lo da ideia de oferecer um novo modelo de calçado a seus elegantes clientes britânicos.

Uma vez em casa, Clark foi atrás das melhores materias-primas e ainda procurou fabricantes fora da empresa para ajudá-lo a colocar sua ideia em prática.

Clark encorpou o sistema de costura de outros modelos de calçados de sua marca e seguiu adicionando outras variações como, por exemplo, trocar o tipo de couro que costumava usar por uma camurça bege comprada de um curtume da própria região e optar por linhas de cor amarela – a fim de dar identidade própria ao modelo que surgia.  

Não bastasse o novo modelo ter sido inspirado no calçado que Clark vira no exército, a própria cor do material também lhe lembrava a areia das dunas que atravessara em pelotão. Assim nascia a Desert Boot.

Da Ásia e da África para o mundo

Sua “árvore genealógica” tem mais galhos, mas muitos deles a ligam à prática do polo – esporte comum entre os ingleses que habitaram a Índia durante os anos de 1920. A palavra chukka (ou chukker) dá nome aos períodos de sete minutos e meio que compõem as partidas.

Por conta dessa referência, somada ao fato de que um modelo semelhante era usado por jogadores de polo fora dos campos, é possível afirmar que a Chukka Boot surgiu na Índia, entre os ingleses das unidades do exército britânico lá instalado – e que, claro, jogavam polo nas horas vagas.

O que se tem registrado é que a Chukka Boot foi vista pela primeira vez nos Estados Unidos, em 1924, nos pés de ninguém menos que Eduardo VIII, Duque de Windsor, que havia visitado à Índia, participado de algumas partidas de polo e adquirido alguns pares do modelo. E foi só o príncipe – um dos mais famosos da realeza britânica até hoje – usar a novidade em público para que a Chukka Boot se tornasse moda entre os gentlemen.

Mas há ainda uma versão que liga o surgimento do modelo às atividades do exército britânico em serviço. A Chukka Boot (ou um modelo rudimentar parecido) teria sido eleita pelas tropas como calçado oficial suas campanhas no deserto indiano. Também conhecidas como “botas de deserto” (ou “botas para o deserto”), elas já traziam como característica a sola de borracha em vez de couro.

Seja qual for a exata origem do modelo, no entanto, é certo que ele foi criado para, inicialmente, calçar os pés dos oficiais – seja em eventos em torno do polo ou nas caminhadas sob o sol do deserto.

Por ser confortável sem perder o estilo (isso, jamais!) tornou-se extremamente popular nas décadas que se seguiram – sobretudo, nos anos 1950. Hoje, a chukka é um clássico dos casuais.

Box:

Para tirar sua bota armário

Como diz a música que ficou famosa na voz Nancy Sinatra, “botas foram feitas para andar”. Seguem algumas dicas de como acertar no tom

Considerando a natureza casual, os especialistas em moda masculina recomendam atenção na hora de usar qualquer boot com calças de alfaiataria ou ternos.

Proibido talvez não seja o melhor termo, mas digamos que a segurança de um look mais despojado, sem perder a sofisticação, está mais garantido na combinação com jeans ou calças de modelo chino. A liberdade, no entanto, aparece para experimentos com meias coloridas ou com padrões.

Experimente seu par também com camisas Oxford, jeans ou polo – certeza de um casual chique. Já a botas marrons vão bem com calças em tons outonais, como o verde, o vermelho e os amarelos mais escuros.

Para um resultado totalmente weekend nos dias frios, aposte na trinca t-shirt, suéter e jeans mais “surrado” – que num corte justo, para os adeptos, deixa a silhueta ainda mais refinada.