...E hoje temos o Oxford
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...E hoje temos o Oxford

O modelo surgiu como uma espécie de evolução da bota. O motivo? A histórica preferência masculina pelo conforto e praticidade

Já falamos aqui no Editorial & Things sobre o surgimento do modelo Derby e o quanto ele revolucionou a história dos calçados masculinos ao romper com a estrutura rígida das botas, introduzindo o sistema de amarração por laço. Agora é a vez de outro estilo de calçado que a história se encarregou de transformar em sinônimo de elegância para o homem: o Oxford. Contudo, ao contrário do que se pode afirmar sobre o sapato derby, cujo surgimento está ligado a figuras históricas específicas – como o 14º Conde de Derby e o oficial do exército prussiano Gebhard Leberecht von Blücher –, não se sabe ao certo quem o teria inventado.

 


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A versão mais compartilhada pelos estudiosos é que o modelo tenha surgido na famosa Universidade de Oxford (daí o nome), a Inglaterra. Seus alunos teriam popularizado uma “meia bota” conhecida na época como Oxonian Shoe, por volta de 1825. No início, essa variação trazia fendas laterais que garantiam o conforto na hora de circular pelo compus – algo que interessava mais aos estudantes do que o “apelo fashion” dos sapatos de cano longo (e até saltos mais altos) que a corte francesa havia popularizado entre as elites europeias até então. Com o passar do tempo, as fendas deram lugar ao sistema de laços (que se transformariam nos cadarços que conhecemos hoje), ainda assim nas laterais.

 


Oxford Orwell Moss

 

Esse sistema de amarração, por sua vez, acabou migrando para o peito do pé. Ao passo que mudanças futuras iriam ainda diminuir gradativamente o tamanho do salto e o comprimento do cano, que acabou desaparecendo por completo, deixando o tornozelo à mostra. Há quem conteste se todas essas adaptações teriam se dado nos corredores e pátios da Oxford – o que muitos acham pouco provável. Alguns reivindicam que o surgimento do modelo teria se dado na Escócia e na Irlanda. De todo modo, um ponto é indiscutível: as mutações que transformaram as botas no Oxford miravam no conforto.

 

Pontuar cada uma dessas mudanças na linha do tempo também é algo que as publicações especializadas em moda masculina ainda não conseguiram fazer. Mas há outra data importante na história do Oxford: 1846, quando Joseph Sparkes Hall, criador da bota Chelsea, escreveu no The New Monthly Magazine que assim como o sapato de saltoera só que se via nos pés das mulheres”, nos dos homens eram os Oxonian – “o melhor para caminhar”, em suas palavras. “Eles são amarrados por laços que passam por três ou quatro buracos e agora passam a ser chamados de Oxford”. E nunca mais deixou de ser assim. 

 

 


Oxford Smollett