O surf como antigamente
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O surf como antigamente

Surfando na onda do “slow, a marca de pranchas ZZHood rejeita o pragmatismo nos negócios, contemplando o luxo de ter tempo

 

Renato Zizo soa simples em sua ambição, mas ao mesmo revela uma sofisticação dentro dessa simplicidade. Fundador da marca de pranchas de surf ZZHood, o shaper (como é chamado o profissional que constrói essas peças – os shapes) persegue o luxo do tempo, tanto na vida quanto no trabalho.

 

 

A onda é a do “slow”, que vem tentando redesenhar as relações entre marca e cliente no comércio e em serviços. Um conceito que propõe a desaceleração da produção e o prazer de absorver as experiências – na contramão do “fast”. “Vejo que é uma preocupação atual na nossa forma de consumo”, disse durante a entrevista ao Editorial & Things. “Com razão, as pessoas estão querendo experiências mais valiosas”.

 

Surfista desde criança, Renato comenta que a vida pegando ondas já proporciona uma realidade mais contemplativa, menos pragmática. Esse é o tom que ele quis imprimir aos negócios. É o que mostra sua Wood Collection, linha de pranchas feitas de madeira oca. O processo de produção é 100% artenasal e não têm início sem antes se desenrolar um bom papo com o comprador .

 

 

 

O nível técnico do surfista, suas experiências e o tipo de onda que a futura prancha irá encarar pautam a conversa. O que resulta em uma peça única e “orgânica”, como define. Ah, e a madeira, garante o designer, vem de plantações de crescimento rápido.

 

 

Renato reconhece que não há novidade nesse processo de trabalho. Antes das surf shops e das máquinas de shape – “que acabaram distanciando o profissional do seu público”, acredita – o contato shaper/surfista era tête-à-tête. “Não tinha escolha. O shaper tinha que ir com a sua cara”.

A alma das coisas – O lema da marca é resgatar tudo de puro e de “soul” que envolvia a manufatura de pranchas antes das linhas de produção. “ Como surfistas, estamos atrás de experiências únicas. Sabemos que isso vai nos influenciar no mar”.

 

 

Depois de um ano e meio no mercado, Renato criou um site, com foco mais em ampliar o hall de temas que interessam a esse lifestyle do que apenas oferecer os produtos. Não há catálogo nem preços, por exemplo. As imagens se concentram na beleza do surf, com a natureza como moldura.

O endereço reúne também cases que tenham a mesma pegada em outros ofícios (como o design de móveis) e mostra iniciativas sustentáveis, a exemplo do espaço de sistemas ecoeficientes ecoBeco, na Vila Madalena, em São Paulo.

 

 

Cabem ainda cultura, viagens e o que mais possa proporcionar “momentos mágicos”, como a ZZHood prefere chamar. “Às vezes nos deparamos com momentos que podem valer uma vida. Momentos que são mágicos e que fazem a busca valer a pena”.

Claro que a ideia é atrair interessados nesse estilo de vida para que estes, por sua vez, se interessem pelos produtos que a marca pode oferecer. Mas o caminho dispensa promoções ou qualquer outro meio tradicional de marketing.

 

“Não quero que as pessoas apenas busquem um produto na ZZHood. Mas, de qualquer forma, com a facilidade tecnológica o cliente sempre estará alguns cliques da compra”.

Atualmente, é possível conhecer o trabalho apenas pelo site, Instagram e Facebook. Há planos de exposições pequenas e em “locais alternativos”. Em breve. Não se sabe exatamente quando. Tudo a seu tempo.