O que os sapatos italianos têm?
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O que os sapatos italianos têm?

O país guarda a herança de quem sempre fez do ofício de produzir calçados uma forma local de arte 

 

 

Monk strap parret Certas vezes o que torna um sapato único não é seu modelo, e sim sua cor. É o caso dos sapatos com acabamento pátina, como esse da foto. Trata-se de um processo artesanal minucioso realizado no couro para dar a ele uma tonalidade singular, através de duas cores que se misturam harmonicamente

 

O século 20 e 21 vão cravar seu lugar na história como a era da consagração da moda. Da criatividade e tecnologia de tecidos à invenção do prét à pôrter e, posteriormente, da fast fashion, nenhuma época foi tão fértil nessa área como o século passado e o atual. E nenhum lugar foi tão especial quanto a França e a Itália. Se Paris é hoje o panteão das grandes grifes de luxo, a Itália é, sem dúvida, a parte do globo onde reinam os sapatos produzidos por empresas que ainda preservam muito de artesanal no processo de fabricação.

O triunfo pode até ter vindo nas últimas décadas, mas a história dos calçados italianos está ligada ao próprio desenvolvimento do design no país, que viveu um período de ouro entre os séculos 11 e 16 – até que a França ocupasse esse posto, principalmente a partir do século 17.

Como em muitos países, os acessórios que faziam parte do dia a dia das pessoas eram produzidos por artesãos em pequenas oficinas localizadas nas próprias vilas. Algumas regiões, no entanto, tinham uma produção mais fértil e serviram de berço para essa arte.

 

(foto abaixo)  Ferramentas dos artesãos usadas na produção dos sapatos 
                     
  





 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Segredo italiano

Cidades como Veneza, Florença, Milão e Vicenza despontaram entre as terras-natal de artesãos que tinham como “responsabilidade” calçar os pés de toda a comunidade, adaptando os modelos para adultos e crianças - ou mesmo de acordo com a classe social.

Às vezes apenas um artesão era responsável pelos sapatos de uma localidade inteira, o que, com o passar dos anos, levou a produção local a um grau sofisticado de especialização. Há quem diga, no entanto, que o essencial, aquilo que fez os sapatos italianos tornarem-se mais especiais do que os outros, foi o simples fato de que, enquanto em outros países os artesãos se preocupavam principalmente em desenvolver a construção do calçado, os italianos focavam também na matéria prima.

Essa particularidade está profundamente relacionada à beleza histórica dos calçados “made in Italy”, pois motivou a constante exploração de novos materiais, para além do aprimoramento das técnicas – sempre manuais, o que garantiu também qualidade, já que fazia parte do estilo desses artistas a fabricação por demanda, sempre voltada particularmente a cada cliente.

 

(foto abaixo) Lívia Ribeiro, sócia da LOUIE, confere o couro que acabou de chegar do curtume.
A matéria prima deve chegar sem nenhuma modificação. Todo o acabamento é feito à mão pelos artesãos da fábrica

                              
                               

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Fama internacional

Fibras vegetais, peles de animais (nas regiões mais frias) e só depois o couro – após o surgimento das técnicas de curtimento do material – estavam entre os materiais usados nos primeiros capítulos dessa história. Eles recebiam tanta atenção quanto o próprio desenho de cada modelo. Formas de torná-los mais suaves no contato com os pés ou o cuidado no tingimento (sempre feito à mão) eram alguns dos diferenciais.

Mas nem sempre esse “tesouro nacional” teve fama global. Antes da Primeira Guerra Mundial (1914-1918), os sapatos italianos não eram muito conhecidos fora da Itália. Foi com o final do conflito, que acalmou a Europa com uma (ainda que temporária) sensação de paz e normalidade, que todo o continente se sentiu livre para apreciar as maravilhas que o século 20 trazia ao mundo – entre elas, claro, a moda.

Entre os primeiros a terem seu prestígio reconhecido internacionalmente estão Guccio Gucci (criador da famosa grife que leva seu nome) e Salvatore Ferragamo (que fundou a marca homônima que hoje é uma referência no mundo dos sapatos). Foi quando todos os olhares se voltaram para a cena fashion italiana, recolocando o país no centro da beleza e do estilo – lugar perdido desde o fim da Renascença.

Esse novo fôlego motivou os designers italianos a mostrar ao mundo o que os tinha tornado profissionais de primeira grandeza séculos antes, iniciando uma produção em maior escala – porém, nunca grande demais, a ponto de comprometer o caráter artesanal. Do outro lado, clientes conheciam um estilo de sapato que nunca tinham visto.

Surgia, assim, a era da casualidade elegante para os pés – e, alicerçados pela tradição, os italianos passaram a ditar as regras. A verdade, no entanto, é que não há segredo guardado a sete chaves por trás dos famosos sapatos da Bota. Trata-se de enfatizar a busca pela alta qualidade do início ao fim, somado a algumas centenas de anos de aperfeiçoamento que hoje inspiram a indústria no mundo inteiro. Em outras palavras, eles têm história – e respeitam cada capítulo dela.

 

“Sapato bom é uma ciência”

 

(foto abaixo) Todas as partes que compõem o sapato são 100% couro

                    


 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 


Garantir equilíbrio entre o que se vê (a beleza, a parte externa) e o que se sente (o interior, o real lugar do conforto) são valores que nasceram com a LOUIE e continuam essenciais para a gente. Somos apaixonados tanto por design, quanto pela construção do sapato e sua materia prima. (Uma prática comum na fábrica, para descobrir se o couro que chega do curtume é 100% natural, é passar um pouquinho de saliva sobre ele. Quanto mais rápido for absorvida, mais natural é o material – ou seja, nada foi passado sobre ele para disfarçar possíveis imperfeições da pele do animal)

“Sapato bom é uma ciência. Se não tiver tudo certo, ele causa dores nos pés e nas pernas. As pessoas não fazem ideia o que um sapato mal estruturado pode provocar”, diz Lívia Ribeiro, sócia da LOUIE junto com o espanhol Adolfo Turrion.  

 (foto abaixo) As ferramentas e a obra. Na imagem, o Derby Settlle


                   

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Aqui, o jeito de produzir ainda é inspirado pela antiga maneira de se fazer sapatos, quando não existiam materiais sintéticos. Da palmilha ao forro e à calcanheira, o exterior e o interior dos nossos produtos são 100% couro bovino. Assim, como dita o padrão italiano, garantimos que a parte de dentro – aquela que fica em contato direto com os seus pés, mas que ninguém vê -, seja tão importante e bem cuidada quanto todo o resto.

Não usamos materiais como papelão e tecido para revestir o interior do calçado, praxe entre a maioria dos fabricantes. Nossa sola é mais espessa, feita para durar mais. Acreditamos que esses detalhes chancelam o nosso compromisso em entregar o que há de melhor disponível. E, sem intermediários, nem despesas com lojas físicas, a LOUIE oferece algo de verdade, de forma honesta e justa: preços 35% mais baixos do que o restante mercado.