O Poderoso Chefão: o clássico da máfia faz 45 anos
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O Poderoso Chefão: o clássico da máfia faz 45 anos

Filme de Francis Ford Coppola ganha homenagem no Tribeca Film Festival 2017 e a gente aproveita para contar alguns fatos e curiosidades sobre a saga dos Corleone

 

O ator Salvatore Corsitto com o "padrinho" Marlon Brando 

 

Sabe a frase "eu queria ser uma mosca"? Pois é, vai ter muito amante do cinema (e não precisa ser um cinéfilo) mentalizando essa máxima no dia 29 de abril deste ano. A data foi reservada, dentro da programação do Tribeca Film Festival 2017, para a exibição dos dois primeiros longas da trilogia O Poderosos Chefão - lançados, respectivamente, em 1972 e 1974. 

 

O diretor Francis Ford Coppola conversa com Al Pacino (Michael Corleone) e James Caan (Sonny Corleone) no set de O Poderoso Chefão

 

Para completar – e aí vem a parte da mosca – a organização conseguiu reunir o diretor Francis Ford Coppola e os atores Al Pacino, James Caan, Robert Duvall, Diane Keaton, Talia Shire e Robert De Niro (que aparece no segundo filme) para uma conversa com os presentes.

Para quem ainda não assistiu, o filme conta a história da família de Don Vito Corleone (vivido por Marlon Brando). O drama começa quando o chefão sente a hora de passar o bastão. De um lado, se vê pressionado a “modernizar” os negócios (leia-se, começar a vender drogas); e, de outro, se depara com a resistência de Michael, o caçula e mais apto para o cargo, em entrar para a clandestinidade.

 

Depois de entrar para os negócios da família, Michael (Al Pacino) passa uma temporada na Sicília, terra natal dos Corleone - à esquerda, o ator Franco Citti

 

O livro de Mario Puzo

 

O resto é história. E uma das mais bem contatadas de Hollywood. O roteiro foi adaptado por Coppola a partir da obra do escritor Mario Puzo (que o co-assina com o diretor). No livro, Puzo praticamente recria episódios ocorridos na vida de mafiosos famosos da época - como nova-iorquino "Crazy" Joe Gallo.

 

Michael Corleone assume o posto de novo "poderoso chefão" da máfia

 

As semelhanças são tantas que, quando o filme foi lançado, Joe Gallo considerou processar Puzo e a Paramount Pictures por "roubar detalhes" da história de sua vida. O que acabou não sendo possível, já que "Crazy" foi assassinado no dia 7 de abril de 1972, um mês depois de o filme estrear em Nova York.

 

Michael Corleone (Al Pacino) conversa com o pai Don Vito (Marlon Brando):  transferência do poder das mãos do velho para o novo

O figurino

 

Como já aconteceu com outro filmes de Coppola (a exemplo de Drácula de Bram Stoker, de 1992), o figurino tem um papel que vai além de apenas caracterizar os personagens de acordo com a época ou o universo em que vivem.

Os ternos de Michael Corleone, por exemplo, foram usados para mostrar a trajetória do personagem rumo ao poder. O visual mais neutro, com peças em marrom ou mesmo ternos de cores mais claras (mostrado início do filme), reflete sua desconexão com as operações clandestinas do pai e o estilo de vida gângster.

Na medida em que a trama se desenvolve, Michel vai ficando mais sombrio e os trajes mais sofisticados e caros (como os belos costumes que passa a usar). A ideia era mostrar, por meio das roupas, que o jovem começara sua transição para uma vida de aparências, crime e corrupção.

 

Al Pacino e Marlon Brando em cena do primeiro filme da trilogia

 

Para Dom Vito, a figurinista Anna Hill Johnstone optou por um guarda-roupa que combinasse com sua personalidade "franca, direta e simples". Por isso as camisas com golas estranhamente grandes, as gravatas atadas de forma que a etiqueta ficasse aparecendo, e os cintos já gastos pelo uso.

O mesmo acontece com os sobretudos longos e trespassados, usados por Don Vito e Michael ("peça-símbolo" dos gânsgteres desde os anos 1920). Os de Michel são mais luxosos que os do pai, simbolizando a transferência do poder das mãos do velho para o novo.

 

Kay Adams, personagem de Diane Keaton, é casada com Michael Corleone - a cena mostra os dois antes de Michael entrar para os negócios da família

 

O Poderoso Chefão ganhou três das seis indicações ao Oscar que recebeu: Melhor Filme, Melhor Roteiro Adaptado e Melhor Ator para Marlon Brando – que não apareceu à cerimônia, mandando em seu lugar a atriz descendente de nativos americanos Sacheen Littlefeather, em protesto pelo tratamento dado aos índios americanos por parte da indústria do entretenimento nos Estados Unidos.

 

Outras curiosidades

 

Marlon Brando recebe maquiagem para parecer mais velho - mesmo assim, na época, o ator foi considerado jovem demais para viver Don Vito Corleone

 

Marlon Brando queria que Don Corleone "parecesse um buldogue". Para isso, encheu as bochechas de algodão para fazer o teste. Nas cenas, o ator usou uma peça, feita por dentista, para causar esse efeito. O artefato está exposto no American Museum of the Moving Image, no Queens, em Nova York.

A voz característica de Dom Vito foi baseada na do mafioso real Frank Costello. Marlon Brando o viu falar, num programa de TV dos anos 1950, e imitou seu sussurro rouco no filme.

O diretor Sergio Leone chegou a ser sondado para dirigir o filme, mas não aceitou porque achou que a história "glorificava a máfia". Anos depois, ele se arrependeu da recusa. Mas estava tudo certo. Em 1984, Leone nos daria outro filmaço de gângsteres: Era Uma Vez na América.

 

Para Marlon Brando, Don Corleone precisava "parecer um buldogue".