Giorgio Armani: a moda possível
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Giorgio Armani: a moda possível

Aos 82 anos – 41 dedicados à moda –, o designer italiano criou um império calcado no simples e no elegante, e segue ditando as regras do casual-chique

 

O estilista Giorgio Armani

“Eu evito uma 'moda explosiva' porque explosões não duram”. É assim que o designer italiano Giorgio Armani define suas pegadas no universo fashion. Para ele, a grande tendência sempre foi ser fiel à própria visão. “E esperar que os clientes compartilhem desse gosto”, disse em entrevista ao portal Mr. PorterEssa filosofia permitiu ao italiano de Placência, próxima a Milão, conquistar o posto de “poderoso chefão” da moda que faz dinheiro, e isso ecoou na cabeça do público masculino.

Não é exagero dizer que, em boa medida, foram os homens que viraram o pescoço para olhar aquele jovem misturando alfaiataria com peças “mundanas” (como jaquetas, jeans e camisetas), no começo da década de 1970. Era a “desconstrução do design”, como o próprio Armani definiu em outra entrevista, dessa vez ao Sunday Times, no aniversário de 40 anos de sua marca.

 

Desfile da grife

 

Business man
Armani fez mais do que mostrar aos homens que é possível se vestir bem sem se tornar (ou parecer) uma vítima da moda. Ele também mudou a cara da indústria da qual pertence. Foi o primeiro, por exemplo, a dividir sua marca em mais de dez etiquetas distintas – voltadas para idades, bolsos e estilos diferentes. Da mais acessível e jovem A/X Armani Exchange à ultraexclusiva Black Label, passando pela AJ Armani Jeans e pela Emporio Armani.

O “poderoso chefão” está também por trás do conceito de “chique aspiracional”, que populariza a marca via comercialização de fragrâncias, óculos escuros e relógios.

Essa manobra de business fez da marca mais do que uma etiqueta, transformou-a num lifestyle que oferece aos clientes (amantes ou não das passarelas) um universo completo. Dependendo da capital do mundo em que você esteja, é possível dormir se cobrindo com um lençol Armani, malhar usando a marca de roupas esportivas Armani EA7 e tomar café num Armani Café –  e apreciar um capuccino num copo Armani (!!!).

 

O não-estilista

 

Para chamar a atenção do mundo, o designer se tornou o primeiro a vestir atores para o tapete vermelho (Robert de Niro e Michelle Pfeiffer, lá no início dos anos 1980).

 

 

 

Richard Gere, em Gigolô Americano

 

A vitrine o levou aos bastidores de Hollywood, como responsável pelo figurino de alguns dos maiores arquétipos masculinos do cinema: o conquistador Richard Gere em Gigolô Americano, o gângster De Niro e o policial Kevin Costner, em Os Intocáveis, e os tubarões dos negócios (incluindo Leonardo DiCaprio) em O Lobo de Wall Street.

 

Robert De Niro (centro), em Os Intocáveis

 

A estratégia de Armani de focar no clássico e no prático, em vez de se obcecar pela “última tendência”, acabou fazendo dele uma criatura rara na selva fashion – o que alguns especialistas já chamaram de “the anti-designer designer”, algo como “o estilista não estilista”.

É como um jardineiro especializado apenas em rosas, mas que de tão bem produzidas, ninguém sente falta de espécies mais exóticas. E sempre com um lema: tentar o máximo possível ser coerente, consistente e democrático.

Com isso, Giorgio Armani questionou a fragilidade comercial de uma moda que precisava ser “artística”, elitista e exclusiva para ter valor. O velho italiano quer seguir vendendo para todo mundo. Celebs e “mortais”. Ou como disse certa vez o The New York Times sobre ele: “mais Volkswagen do que Mercedes-Benz”.